Falar imagens
Leitmotiv: Projeto educativo - Projeto Filóstrato
Certeza factual que as imagens são mudas
Artistas: ofício de coisas mudas
Nós é que falamos dela
Não cessam de produzir glosas, palavras, textos e polêmicas
Complexa relação entre o verbo e a imagem
Nessa relação existe a possibilidade de um nicho na imagem
para o verbo
Ou de um lugar na palavra para a imagem
Isso como uma potência de vínculo, matéria constituinte da
30a.
Vínculos: exercício analógico sem fim
Devir analógico das coisas, dos figuráveis e do dizível
1a Convicção lógica para adentrar num território
não tão lógico das artes:
As obras de arte somente significam na medida em que marcam
uma diferença e uma distância com relação a outras obras de arte
2a Convicção lógica para a curadoria:
as obras de arte, assim como a curadoria, são atos de
enunciação
uma voz
A curadoria compartilha a certeza de Bergamín de que a
cultura morre quando é totalmente submetida à imposição da letra inerte
Se falar [as] imagens é um exercício inconcluso,
A razão talvez esteja na densidade natural do mundo e na
resistência antifilosófica da voz
Não confunda nunca a linguagem com seu voo – Quignard
Filóstrato e Vínculos são testemunho de um mistério: da
relação com a voz e com o pensamento, assim como os mitos e a cultura ocidental da imagem
Mitos: de origem impossível de discernir, mas que produzem
efeitos reais
O que o livro do Filóstrato gerou é impossibilidade de
distinguir qualquer antecedência entre palavra e imagem
Toda palavra tem por iminência uma imagem, à qual serve como
fundação
Toda palavras tem por iminência uma imagem que te serve como
ressonância
Reflexões centrais da 30a:
A primazia da voz sobre a letra,
O impulso antifilosófico da imagem,
A novidade do arcaico que jaz no fundo de nosso alento,
A entonação e afasia,
A fascinação e a metamorfose,
A nudez da linguagem,
A cena invisível da origem.
Luis Pérez-Oramas\
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