“ A primeira Bienal do Museu
de Arte Moderna encerra-se dia 23. Ficará menos tempo do que seria de se
desejar que ficasse, porque os arranjos
internacionais para a apresentação dos
conjuntos estrangeiros noutros países não permitem, infelizmente, o
prolongamento de sua permanência em São Paulo. Tendo sido inaugurada com um atraso de vinte dias, em relação ao
programa previsto, é de lamentar-se que se encerre, principalmente, no período
em que se iniciam as férias em um novo ano. A Bienal nada fez, na verdade, para
que viessem a São Paulo as enunciadas caravanas do interior, dos Estados e dos
países vizinhos. Agora, com o início das férias escolares, seria o momento de,
entrosando-se com a Secretaria de Educação, organizar a visita dos professores
do interior, dos estudantes dos cursos secundários. Esta preocupação educativa
faltou inteiramente `a Primeira Bienal.
Conhecemos a boa vontade do
sr. Francisco Matarazzo Sobrinho e de seus colaboradores. Mas não podemos
deixar de reconhecer que lhes faltou um
espírito animadodo de dinamismo mais amplo para um melhor aproveitamento da
própria obra. Quem percorreu as salas do Trianon o fez espontaneamente, e essas
visitas espontâneas tem um grande sentido, desde que nada foi feito, na
realidade, para atrair ao público. O elevado número de pessoas que diariamente
procuram a Bienal demonstra, assim, que já existe em nosso meio um real desejo
de conhecer e compreender a arte moderna. Mas para conhecer e compreender não
era suficiente ver, não bastava seguir, mais ou menos desorientadamente, os
labirintos dos vinte a quatro países expositores. A Bienal deveria guiar. No entanto,
depois de inaugurada, foi como que abandonada ao seu destino. Ali permaneceu
como uma coisa estática, parada, um museu de antiguidades. Quando deveria ser
um organismo dinâmico, destinado não só a mostrar algumas tendências mais
avançadas da arte contemporânea, como a instruir o público sobre a importância e
o significado dessas tendências diversas. De maneira lucidamente viva e
eficiente isso não foi tentado. O próprio catálogo é uma triste pobreza, sem nenhuma indicação,
sem nada que explique mais claramente ao público o que vai ver, o que pode
encontrar de melhor. Nenhum de nossos maiores críticos de arte foi solicitado a
fazer conferências e palestras sobre a Bienal. Tudo isso é dito aqui, porque,
nesses quinze dias que nos restam, nos parece necessário que alguma coisa seja realizada ainda, no sentido
de um programa didático [...]"
SERAFIM. “O repórter na Bienal” Revista Habitat no 5, 1952, pp. 2-6
Disponível no Arquivo Histórico Wanda Swevo, Fundação Bienal de São Paulo: setor de periódicos
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